Eu até ia escrever um poema… mas não tinha orçamento para um satélite

A Google meteu inteligência artificial num satélite e pediu-lhe um haiku, um poema curto de origem japonesa, com apenas três versos. Depois de enfiar IA em tudo o que se possa imaginar, começou a faltar espaço. Resolveu à letra.

Segundo a empresa, o modelo Gemma 4 escreveu o poema a bordo de um protótipo do Project Suncatcher. A resposta chegou à Terra durante uma passagem por Svalbard, na Noruega: três versos sobre a Terra azul, dados a fluir e luz das estrelas.

O lançamento correu bem. A aterragem na literatura é que ainda está em avaliação.

Camões andou pelo mundo e escreveu Os Lusíadas. A Google chegou à órbita e entregou três linhas. Cada um faz o que pode com os recursos que tem.

A experiência pretende testar computação de IA no espaço. O haiku foi uma demonstração de funcionamento, e conseguir que uma máquina receba um pedido, o processe em órbita e devolva uma resposta tem mérito. Agora falta avaliar como os processadores aguentam o stress térmico e a radiação.

Mas há qualquer coisa de delicioso nesta estreia. Um satélite, processadores especializados e uma estação terrestre para produzir três versos. O poema é minimalista. A lista de despesas é que não.

Camões tinha as musas. A Google tem um satélite. Eu tenho três versos por escrever e uma inteligência que pode não ser grande coisa, mas pelo menos é de fabrico próprio.

A Google conseguiu meter inteligência artificial num haiku. No meu, prefiro não meter…

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