A inteligência artificial veio poupar-nos trabalho. Agora fazemos o trabalho, explicamos à máquina o que fez mal e ainda pagamos a mensalidade para ela pedir desculpa.
O Eu até IA… nasce dessa irritação. Da resposta errada com ar de certeza. Do “agora percebi” seguido exatamente da mesma asneira. E daquela vontade de atirar o computador pela janela, frustrada pela única coisa que funciona neste escritório: o bloqueio das janelas.
Não somos contra a inteligência artificial. Somos contra ter de fazer o trabalho dela depois de ela se oferecer para fazer o nosso. Se funcionar, ótimo. Se não funcionar, ao menos que dê para escrever alguma coisa à custa dela.
Falamos de máquinas inteligentes, promessas milionárias e humanos suficientemente impressionáveis para pagar uma mensalidade por um estagiário que inventa fontes e nunca admite que foi almoçar.
Aqui, os factos são verificados. O entusiasmo fica à porta, à espera que alguém demonstre alguma coisa. Não aceitamos “vai transformar tudo” como explicação. Uma inundação também transforma tudo e ninguém lhe chama assistente de produtividade.
Se a IA nos vai substituir, convém começar por quem escreve os comunicados a anunciar que a IA nos vai substituir.
Eu até ia escrever mais. Mas a máquina disse que tinha percebido e agora tenho de ir ver o que estragou.